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Sábado, 30 de Outubro de 2004
Terça-Feira , 26 de Outubro de 2004
ONG Fala Bicho
As denúncias são o primeiro passo para se combater os maus tratos aos animais. Sheila Moura, presidente da organização não-governamental Fala Bicho, fala sobre o assunto.
RJTV: Empresários e políticos estão entre os presos participantes de rinhas. Esse é o perfil dos apostadores em rinhas, são pessoas de classe média e classe alta?
Sheila Moura: O perfil é variado porque é uma característica do ser humano. Para você ter a patologia chamada sadismo, você pode ser pobre ou rico. Daí você desenvolve essa questão de satisfazer o seu sadismo vendo a crueldade sendo praticada com os animais.
Essas rinhas, mais comumente, se encontram em que regiões da cidade ou do estado. É possível mapear essas regiões?
Não, não é. É pulverizado. A rinha que foi estourada foi no Recreio dos Bandeirantes, e a gente encontra em Del Castilho , na Mangueira, em milhões de lugares, porque não tem um perfil definido do rinheiro. Existe um perfil definido do indivíduo que tem o sadismo. Então, ele pode estar em qualquer classe, qualquer ambiente, e vai encontrar um meio de trabalhar a sua doença. Porque é uma doença.
Como está o combate às rinhas e como as denúncias chegam até a Sociedade Protetora dos Animais ou a ONG Fala Bicho? Há uma resposta à altura por parte da polícia?
Graças a Deus, a gente já melhorou. Nós, que temos uma estrada de 30 anos, que começamos a lutar neste trabalho com muita dificuldade, hoje a gente sabe que a sociedade está reconhecendo que é uma necessidade atender os animais, porque existe um grupo de pessoas sensíveis à causa que estão por trás cobrando. Nós lutávamos no tempo que era uma contravenção o mau-trato ao animal, nós lutamos pra caramba e conseguimos, em 1998, transformar essa contravenção num crime. Hoje, nós lutamos e a polícia nos atende. Mas a dificuldade maior é a Justiça, porque começa a complicar um pouco a coisa. A polícia nos atende, essas batidas todas são formidáveis, e a população acredita na polícia. Mas aí vem o processo posterior que é a Justiça.
Ninguém é punido?
A gente não tem ainda notícias de punição.
A gente não tem ainda notícias de punição.
Ninguém foi preso?
Não. No caso do Buana Parque, onde os animais morreram de fome, foram punidos dois pequenos funcionários com multa de R$ 400 de cestas básicas.
Não. No caso do Buana Parque, onde os animais morreram de fome, foram punidos dois pequenos funcionários com multa de R$ 400 de cestas básicas.
Em geral, nas denúncias que vocês recebem, há mais rinhas de galos e cães? O que mais está acontecendo hoje no Rio?
O que está havendo é uma formatação diferente da questão da rinha de cachorro. Porque eles viram que a pancada estava sendo grande, a polícia estava dando muito em cima, então eles começaram a se organizar em grupos muito fechados, se comunicam através de telefone, 'três horas num lugar tal', tem rinha, aposta e todo o aparato, mas a gente não está tendo notícias de locais fixos. Agora, a rinha de galo, a gente tem lugar fixo. Essa que aconteceu agora, saiu uma matéria em 1990, no "O Globo". Isso já era de conhecimento público de todo mundo, essas rinhas que têm no Largo do Pedregulho, Mangueira, na Praça das Avencas... A gente tem notícias de lugares já consolidados, conhecidos. Mas é aquele problema que, infelizmente, eu já coloquei: a polícia age dentro da competência dela, mas infelizmente a nossa Justiça tem deixado um pouquinho a desejar.
Na sua opinião, o telefone da Suipa, o 2501-9954, para denúncias de maus-tratos ajuda?
Funciona muito. E o principal, ligar também para o Disque-Denúncia, porque o nosso grande sonho é que dentro da Delegacia do Meio Ambiente, da Polícia Civil, tenha um departamento sobre fauna, porque a demanda é muito grande. Se criassem um departamento para cuidar de fauna seria o ideal. Porque a Suipa é uma entidade como eu, a gente precisa de ajuda.
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